Lançamento de Carcaças de Feras completa a trilogia Espíritos Vadios, uma saga marcada por suspense, investigação, corrupção, trapaças e muito deboche. Hackers, mentalistas, profissionais do sexo e agentes públicos corruptos enfrentam chefões do narcotráfico em um explosivo confronto.

 

A bem-sucedida trilogia Espíritos Vadios inicia-se com Antros de Raposas, que apresenta um universo onde a disputa pelo poder rompe os limites da lei. No segundo livro, Fogo na Fornalha o confronto se amplia, com a efetiva atuação da polícia, com novos personagens e alianças inesperadas, para aprofundar os jogos de manipulação que envolvem tipos cada vez mais espalhafatosos e complexos. Em Carcaças de Feras, que completa a trilogia, a guerra é total. 

Em um ambiente dominado pela violência, pela ambição e pela corrupção, ninguém está seguro e ninguém permanece inocente; todos correm perigo; todos são perigosos. A descoberta dos que são mais letais é o principal atrativo de Carcaças de Feras.

Sobre o deboche, com personagens extravagantes e toda sorte de vadios e trapaceiros, o autor declara que “é a forma mais convincente de abordar situações que causam indignação, escancarando a imoralidade por trás delas. O grande desafio é manter a consciência crítica diante de fatos injustos e condenáveis, ainda que provoquem risos, pela forma com que são relatados. Atos execráveis de políticos estão sendo perigosamente vistos como algo irremediável. O coronelismo acabou, mas sobrevive, de algum modo, nas milícias e facções criminosas, por exemplo. Os coronéis da trama, contemporâneos, saídos do meio militar, mantêm as características e os métodos dos antigos, métodos conservados também pelos herdeiros, que aprenderam com eles. Esses métodos são ‘aperfeiçoados’ com os recursos tecnológicos da atualidade, a exemplo da presença de hackers na história”.

O núcleo central de Espíritos Vadios é a guerra pelo legado dos coronéis, travada entre Dom Luciano e seus comparsas contra a explosiva Valquíria, a perigosa Marcília, o magnata fanfarrão Amâncio, e o irresistível amante profissional Régis. De um lado e de outro, além de hackers e mentalistas, encontram-se advogados malandros, pais de santo, diplomatas e agentes públicos corruptos. Todos eles, indiretamente, se aliam para enfrentar a força-tarefa criada para pegá-los. “Inimigos mortais se tornam irmãos de sangue para enfrentar a polícia”, afirma um detetive. “Muitos desses vagabundos malandros nem são suspeitos; eles devem achar que até cometer crimes dá trabalho”.  

A trilogia percorre diversos estados nordestinos, explorando as relações entre o crime organizado e a instituições públicas. A saga se estende de Sergipe a Pernambuco, do Rio Grande do Norte ao Ceará, sendo a Paraíba, no entanto, o cenário principal. 

Em relação à grande força das personagens Valquíria (ex-mulher do coronel Alexandre) e Marcília (viúva do coronel Toni), segundo o autor, “é importante lembrar que o empoderamento feminino é recente, se considerado historicamente. Mulheres de coronéis, na literatura, e na realidade, tinham influência só por causa dos maridos ou amantes. Valquíria e Marcília mostram que têm poder, independentemente dos coronéis com quem eram casadas. São tão perigosas quanto eles, ou até mais”.

A personagem Valquíria, ex-mulher do coronel Alexandre, diz, em uma cena: “Não sou nem nunca fui mulher de ninguém”. Em outro momento, em que para ela botam uma música, “Paraíba”, de Luiz Gonzaga (“mulher macho, sim, senhor”), Valquíria ressalta: “Isso, para mim, não é um elogio. Tenho mais coragem do que muitos machos!”. 

Sobre os profissionais do sexo na trilogia, o autor informa: “Um leitor me disse que a presença desses profissionais na história bem ilustra a prostituição que se vê na política. Só que, em vez de ‘prostituição’ ele usou outro termo, mais pesado”.

Com uma narrativa intensa e repleta de reviravoltas, Carcaças de Feras promete entregar um desfecho impactante para leitores que acompanham a saga desde o primeiro volume, reafirmando a proposta da trilogia: mostrar que, em um mundo onde todos escondem seus próprios monstros e fantasmas, a maior ameaça pode estar justamente em quem parece mais humano.

A exagerada exploração do grotesco, a emaranhada teia de eventos, e o criticado excesso de personagens, de fato, podem confundir o leitor. Mas, mesmo em cenas aparentemente desconectadas do enredo principal, o riso é garantido. Espíritos Vadios conquista os leitores logo nas primeiras páginas e o final é surpreendente.

O autor, advogado, membro da Academia Regional de Letras, em São Paulo, foi Coordenador Geral do Setor de Folclore, presidente de comissões de licitação e de concursos e, entre outras funções, exerceu as do cargo de Procurador Jurídico, na Prefeitura Municipal de Olímpia, SP. Graduou-se em Letras, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, também foi editor do Anuário de Folclore de Olímpia, SP, em que publicou diversos artigos sobre o tema.

 

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